Acordos de Ciro e Abraão: cumprimento de profecias?

Reza Pahlavi orando no muro das lamentações em Israel | Fonte: Avshalom Sassoni/Flash90

    Em visita história, o ex-príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi (foto acima, de 19 de abril de 2023), abre caminho para a paz com Israel.

    O novo conjunto de iniciativas diplomáticas e econômicas que visam fortalecer os laços entre Israel e o Irã, lideradas pelo ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi, tem sido chamado de "Acordos de Ciro". A visita recente de Pahlavi a Israel foi um marco histórico, pois foi a primeira vez que um membro da antiga dinastia Pahlavi pisou em solo israelense desde a Revolução Islâmica de 1979. Durante a visita, Pahlavi se reuniu com o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett e o presidente Isaac Herzog, além de líderes da comunidade judaica iraniana em Israel. 

  Os "Acordos de Ciro" têm como objetivo restaurar as relações diplomáticas entre os dois países, promover o comércio e os investimentos mútuos, apoiar os direitos humanos e a democracia no Irã e contrabalançar a influência do regime teocrático iraniano na região. Os acordos são batizados em homenagem ao rei persa Ciro, o Grande, que libertou os judeus do cativeiro babilônico no século VI a.C. e permitiu que eles retornassem à sua terra natal.

   Já os acordos de Abraão são uma série de tratados de paz entre Israel e alguns países árabes, mediados pelos Estados Unidos, que visam normalizar as relações diplomáticas e promover a cooperação na região. O primeiro acordo foi assinado em 15 de setembro de 2020 entre Israel e os Emirados Árabes Unidos (EAU), seguido por Bahrein, Sudão e Marrocos. Os acordos representam uma mudança histórica na política do Oriente Médio, pois apenas dois países árabes (Egito e Jordânia) haviam reconhecido Israel antes de 2020. Um dos principais objetivos dos acordos é conter a influência do Irã na região, que é visto como uma ameaça por Israel e pelos países do Golfo Pérsico. Além disso, os acordos abrem novas oportunidades de comércio, turismo, tecnologia, saúde e cultura entre os países signatários.

   Um dos pontos mais polêmicos dos acordos foi a suspensão dos planos de Israel de anexar partes da Cisjordânia, um território disputado com os palestinos. Os palestinos rejeitaram os acordos e os consideraram uma traição à sua causa. Eles afirmam que os acordos ignoram seus direitos e legitimam a ocupação israelense. Os acordos de Abraão ainda enfrentam muitos desafios e incertezas, mas também abrem novas possibilidades de diálogo e cooperação no Oriente Médio.

CUMPRIMENTO DE PROFECIAS

  Alguns estudiosos bíblicos veem nos acordos de Abraão e de Ciro um possível cumprimento de profecias sobre acordos de paz no fim dos tempos. Eles se baseiam em passagens como Daniel 9:27, que fala de um pacto firmado por sete anos entre o Anticristo e muitos povos, que será quebrado na metade do período. Outra referência é o livro de Apocalipse, que descreve uma falsa paz mundial liderada pela besta, que será seguida por guerras, fome e morte (Apocalipse 6:1-8). Esses intérpretes acreditam que os acordos de Abraão podem ser parte desse cenário profético, ou pelo menos preparar o terreno para ele.

   No entanto, essa visão não é unânime entre os cristãos, e há outras formas de entender as profecias bíblicas sobre acordos de paz. Alguns argumentam que os acordos de Abraão não se encaixam nas características do pacto descrito por Daniel, que envolveria especificamente Israel e seus vizinhos imediatos. Outros afirmam que as profecias de Daniel e Apocalipse já se cumpriram parcialmente na história passada, ou que têm um significado simbólico e não literal. Portanto, é preciso cautela e discernimento ao relacionar os acontecimentos atuais com as profecias bíblicas sobre acordos de paz.

   NOTA: Neste blog adotamos a posição amilenarista. O amilenarismo é a crença de que não haverá um período literal de mil anos de paz e justiça na Terra antes do juízo final. Os amilenaristas entendem que as profecias bíblicas sobre o milênio são simbólicas e se referem à era da igreja entre a primeira e a segunda vinda de Cristo.

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BIBLIOGRAFIA

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