O Arrebatamento: verdade ou mito?

    Todo o fundamento da doutrina e da escatologia cristã tem por base a vida, morte, ressurreição e retorno de Jesus Cristo. Neste sentido, o arrebatamento exerce um papel central na esperança cristã. É claro que para um leitor Testemunha de Jeová a ideia do arrebatamento soa no mínimo como algo nonsense, já que são instruídos a acreditar que essa é uma doutrina da "religião falsa". Entretanto, cabe lembrar que até mesmo o Corpo Governante assume de certa forma a validade dessa doutrina, afinal eles alegam que em algum momento antes da grande tribulação irão ser "transformados" para a vida nos céus; embora não usem o termo arrebatamento, estamos falando basicamente do mesmo evento.

    A edição de estudo da revista "A Sentinela", de Julho de 2015, págs. 18 e 19 § 15 afirma que "Para muitos da cristandade, a palavra 'arrebatamento' indica que os cristãos serão levados para o céu em corpos físicos." "Muitos" é com certeza algo bastante relativo! O fato é que praticamente ninguém na "cristandade" tem esse conceito sobre o arrebatamento. A Bíblia é bastante clara sobre a necessidade de transformação dos corpos físicos em corpos glorificados, e isso acontecerá em um instante (um piscar de olhos) como reconhece a revista. Portanto, embora não usem o termo, a doutrina oficial das Testemunhas de Jeová inclui na prática algo como o arrebatamento, pois é difícil escapar do que Paulo escreve sobre esse evento em 1 Tessalonicenses 4:16-18. Não obstante, a revista insiste em dizer que os cristãos, mesmo os pretensos "ungidos", não serão arrebatados. O fato de dizer que eles terão seus corpos "transformados" e transferidos ao céu implica no mesmo evento do arrebatamento, embora não queiram usar o termo.

OS ARREBATADOS

    Como vimos, a doutrina bíblica é muito clara: em algum momento num futuro talvez próximo, Cristo chamará seus escolhidos e encontrará com eles "nas nuvens". Aqui existem algumas interpretações controversas. Para muito, apenas os cristãos arrebatados verão a Jesus nesse momento. Isso se deve tanto ao uso do termo "nas nuvens", que denota invisibilidade, quanto à menção de que o evento será semelhante à forma como Cristo deixou a Terra, na presença apenas de seus discípulos.  Assim, estes alegam que é muito provável que os incrédulos não entendam de imediato a causa do súbito desaparecimento de milhões de pessoas nem vejam Jesus nas nuvens. Outros entendem que a vinda de Cristo para o arrebatamento será visível, seja ela antes, durante ou depois da grande tribulação. Seja como for, os escolhidos ouvirão o som da trombeta e num instante estarão perante o Senhor. 

    A Sociedade Torre de Vigia, empresa que responde pelas doutrinas das Testemunhas de Jeová, ensina que há uma divisão de classes entre os cristãos, sendo uma classe "ungida" pelo Espírito Santo, e que habitará nos céus, e uma classe inferior onde se encontra a maior parte de seus membros. Nem é preciso dizer que entendemos que essa não é uma doutrina bíblica. Esse entendimento tem por base as palavras de Jesus em Mt 24:45, onde Ele usa de uma ilustração para ensinar seus discípulos a se manterem despertos. As Testemunhas acreditam que o escravo dessa ilustração se refere a um profético grupo de homens que seriam escolhidos por Deus no tempo do fim, sendo responsável por dirigir a única religião verdadeira. Esse "escravo" seriam os 8 homens do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, como se autodenomina a direção do grupo. O restante dos membros com esperança celestial completariam os 144 mil membros dessa suposta classe que vai viver no céu. Esse entendimento é baseado Lucas 12:32 e João 10:16. O ensinamento aqui é que esse "pequeno rebanho" são os mesmos 144 mil de Apocalipse 7:4, enquanto que as "outras ovelhas" seriam o restante dos cristãos, com esperança terrestre.

    A organização das Testemunhas de Jeová produziu uma separação entre seus membros, dividindo-os inicialmente em dois grupos: os da grande multidão e os 144 mil a serem arrebatados, ou "transformados" como eles preferem dizer. Assim, apenas os membros dessa classe privilegiada poderiam ser usados para produzir a doutrina da denominação. Mais tarde esse ensino seria atualizado, e hoje entende-se que o "escravo" não é mais os 144 mil, mas apenas os 9 homens que dirigem a organização. Eles ensinam que foram escolhidos por Deus para a tarefa de comandar essa religião. 

ARREBATAMENTO E CONVERSÃO

    Os que aceitam a Cristo como o seu Senhor e Salvador tornam-se parte do seu corpo, que é a Igreja (1Co 12:27; 2Co 6:16). A eleição de Deus é feita na eternidade, antes mesmo da criação do mundo (Ef 1:4; Rm 10:9). Após o arrebatamento da Igreja, ou seja, dos verdadeiros cristãos (denominacionais ou não), os que restarem não terão outra oportunidade; Deus os fará crer na mentira que será contada pelo anticristo (2 Tessalonicenses 2:7-12; 1 João 2:22). 

CONCLUSÃO

    O arrebatamento é uma verdade bíblica muito bem fundamentada e as únicas dúvidas ficam por conta do momento em que isso ocorrerá. Particularmente, acredito num arrebatamento ao final da grande tribulação (o que é chamado de pós-tribulacionismo).

    A escatologia, o estudo das últimas coisas, parece indicar que estamos em um momento ímpar da história. Os eventos mundiais sugerem que o caminho está sendo preparado para que o anticristo seja apresentado ao mundo, implantando um governo mundial, com uma única moeda e uma única religião, o que por sua vez é um claro sinal de que o período de tribulação pode iniciar em breve. Para os pré-tribulacionistas, o arrebatamento está às portas, e eles se baseiam em Ap 3:10 e  outros textos para afirmar que não passarão pela tribulação

    A interpretação mid ou meso tribulacionista acredita num arrebatamento no meio da semana profética de Daniel que representa o período de 7 anos de tribulação. Nessa visão, os cristãos enfrentariam um período de "dores de aflição", em que ouviriam falar de guerras e relatos de guerras, doenças e todos os sinais descritos em Mateus 24, sendo arrebatados antes que a grande tribulação tenha início. Uma hipótese recentemente levantada, não por teólogos, mas por especuladores, é a de que desde março de 2020 já estaríamos nos primeiros 3 ½ anos da tribulação. Assim, os cristãos deveriam ser arrebatados em algum momento até o final de 2023.

    Por fim a terceira interpretação, é a de que os cristãos enfrentarão a tribulação. Nesse caso, o arrebatamento e a vinda de Cristo para o Armagedom seriam basicamente o mesmo evento, já no final da grande tribulação. Seja como for, uma coisa podemos ter certeza: o arrebatamento não é um mito, mas um ensino bíblico bastante claro. Embora existam interpretações diferentes a respeito de quando esse evento ocorrerá, basta-nos saber que os cristãos verdadeiros tem essa esperança e devem ansiar por esse dia, como uma noiva que espera pelo seu noivo! (Mt 25:6)

Comentários