ISRAELITAS?
Muitos expositores, levados pela onda do dispensacionalismo de John Nelson Darby, creem que os 144 mil descritos em Apocalipse 7:4 são israelitas étnicos. Esse número, para eles, pode ser literal ou simbólico, mas a categoria a qual pertencem seria literal: israelitas de doze específicas tribos. Esses se converteriam a Cristo no início da grande tribulação e participariam de uma grande obra de pregação do Evangelho do Reino. O grande problema na identificação desse grupo está em Apocalipse 14:4 que acrescenta a informação de que estes são também homens virgens, que não se poluíram com mulheres. Alguns tem sugerido que essa parte da profecia simbolize um estado de pureza e dedicação, conforme Mt 19:12, tanto no sentido de um celibato literal como simbólico (Veja 1Co 7:26,29), e ainda outros como "pureza espiritual". Já outros tem criticado o fato de que, ao longo do tempo, a identificação clara de membros dessas tribos tenha se perdido.
TODO O POVO DE DEUS!
Porém, a explicação que nos parece mais razoável¹ é de que os 144.000 representam todo o povo de Deus ao longo da história. Primeiramente temos o número 3, que remete a trindade, multiplicado por 4, número que na literatura profética aparece relacionado a abrangência universal. Temos então o número 12, que aparece no Antigo Testamento por meio das 12 tribos de Israel, que ali representava todo o povo organizado de Deus na Terra naquele tempo. Já no Novo Testamento o número 12 está presente através dos apóstolos de Cristo, que representam o povo de Deus na nova dispensação, a Era da Igreja. Multiplicando esses dois números 12 chegamos a 144 — a totalidade da representação do povo de Deus ao longo da história!
Para chegarmos a 144.000 basta multiplicar por 10 elevado à terceira potência (10 x 10 x 10). O número dez na Bíblia representa a "perfeição na ordem divina e plenitude humana". Assim temos 10 vezes em que Labão mudou o salário de Jacó (Gn 31:7), 10 mandamentos (Ex 34:28), 10 pragas (Ex 7-12), 10 leprosos purificados por Jesus (Lc 17:12-17), 10 virgens (Mt 25:1) etc. Ao mesmo tempo, o número mil indica uma grande quantidade, um número elevado e não exato. Em resumo:
144.000 = 12 (o povo de Deus pré-cristão) x 12 (o povo de Deus na Era Cristã) x 1000 (uma grande multidão). Sim, os 144.000 representam a mesma grande multidão que nenhum homem podia contar, em pé (no céu) diante do Cordeiro.
QUEM ELES NÃO SÃO
- O pequeno rebanho. Em Jo 10:16 vemos Jesus se referindo a um conjunto de "outras ovelhas". Desde os anos 30 do século XX, a Torre de Vigia tem ensinado que essas outras ovelhas seriam cristãos sem esperança celestial. No entanto, uma análise do contexto revela que Jesus se referia à grande multidão de pessoas de todas as nações que se converteriam ao cristianismo após a fundação da Igreja, no Capítulo 2 de Atos (compare com a explicação acima, sobre "todo o povo de Deus"). Estes, aos quais Jesus também haveria de trazer, se juntariam ao "pequeno rebanho" composto pelos israelitas étnicos, os primeiros discípulos de Cristo. Juntos, gentios e judeus convertidos se tornaram um só rebanho, sob um só pastor.
- Os "ungidos" das Testemunhas de Jeová. Entendemos que a Bíblia não cria uma divisão entre cristãos com esperança celestial e terrestre e nem dá margem para essa interpretação. As Escrituras Gregas aplicam o termo "ungido" especialmente a Jesus Cristo, uma alusão à unção dos reis de Israel, indicando que Jesus é o prometido rei. Os demais cristãos, embora recebam Espírito Santo, jamais são chamados por tal adjetivo. A base para essa interpretação equivocada está em Lc 12:32, onde Jesus chama de "pequeno rebanho" as multidões que o ouviam. Obviamente, era um pequeno rebanho pois a estes ainda seriam acrescidos os gentios. A teologia ads Testemunhas de Jeová divide os cristãos entre um pequeno rebanho que vai ter o reino, isto é, reinar com Cristo, e uma multidão de crentes de uma segunda categoria "agarradores da aba da veste dos ungidos" (Zc 8:23).

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